Chegar em algum lugar diferente daquele em que estamos acostumados a viver pode ser uma grande surpresa. A forma como as pessoas se tratam, como elas se comportam no metrô, o que vestem, o formato dos prédios, o jeito que os carros se espalham pelas geladas ruas. Cada um desses fatores mostra a singularidade de cada cidade do mundo. E de cada mundo próprio das pessoas que as habitam.
E então, o cheiro da cidade, a sensação que ela te passa, o frio fora do comum para nós brasileiros (e para eles está normal, ao ponto de colocarem plásticos no carrinho de seus bebês, mas ainda assim levá-los para passear em um sábado a noite), então, tudo isso mostra que de fato, cada país do mundo leva consigo uma cultura própria, e única. Nas menores e mais simples atitudes de seus cidadãos. Observar cada um desses pequenos detalhes está sendo o maior exercício nesses primeiros dois dias em um novo país, com uma nova vida, que nem eu ainda sei como será.
Na chegada a Madri, tive o prazer de ser apresentada a encantadora e imensa cidade por uma inteligentíssima Brasileira que vive um pouco aqui e outro pouco na terra do Lula. Seu marido, espanhol, politizado e revoltado com a segregação dentro de seu país, nos contou muito sobre a separação e autonomia de algumas províncias como a Cataluña, que construiu sua própria embaixada em alguns outros países, nos Estados Unidos, por exemplo. Com uma economia fortalecida, a província autônoma que tem como sua capital Barcelona já não se considera um povo espanhol. Suas crianças são alfabetizadas somente em catalão – dialeto próprio que poderia ser definido como uma mistura das línguas espanhola e francesa -, e essa é a forma como as pessoas se comunicam lá. Quando querem que todos entendam, é usado o inglês, e não o espanhol, pois eles não se consideram uma parte da Espanha.
A Espanha dá, mensalmente, uma quantia de para cada uma de suas províncias, e a Cataluña, mesmo sendo um povo que não se considera parte de país aceita essa ajuda. E então, por que motivo o governo da Espanha não libera a autonomia integral de uma província que não quer mais fazer parte da Comunidade Espanhola? Será, que em tempos de crise – que pega forte por aqui -, ter a Cataluña incluída no PIB não daria força ao tão segregado país?
Ainda não sei, mas podemos descobrir as redes dessa política de países autônomos dentro do país que, mesmo ainda sendo um só, abriga diferentes culturas faladas e vividas em distintos dialetos. A mais marcante singularidade de cada marca cultural.
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
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